Data: 24/07/2018
Mês: Julho
Ano: 2018
O índice de difusão (calculado com base num inquérito aos cinco principais bancos portugueses) traduz a restritividade do mercado de crédito português: para valores acima de zero significa um aumento da restritividade das concessões de crédito por parte dos bancos, para valores abaixo de zero significa uma diminuição.
 
Oferta: De acordo com os resultados do inquérito de julho de 2018 aos cinco bancos incluídos na amostra portuguesa, os critérios de concessão de crédito ao sector privado não financeiro, no segundo trimestre de 2018, permaneceram praticamente inalterados face aos aplicados no primeiro trimestre do ano. Também os termos e condições que vigoraram neste trimestre se mantiveram, de um modo geral, estáveis, tanto para as empresas como para os particulares. As alterações assinaladas na oferta de crédito, designadamente a diminuição dos spreads aplicados nos empréstimos de risco médio, foram sobretudo justificadas por pressões da concorrência e por uma avaliação mais favorável dos riscos.
 
Para o terceiro trimestre de 2018, as instituições participantes, de um modo geral, não antecipam alterações nos critérios de concessão de crédito a empresas. No segmento dos particulares, pelo contrário, a maioria das instituições antevê critérios de concessão mais restritivos em ambos os segmentos de crédito.
 
Procura: De acordo com os resultados do inquérito, no 2.º trimestre de 2018, e quanto à procura de crédito por parte das empresas e de particulares, a maioria dos bancos não assinalou alterações de relevo. Não obstante, para as empresas, um banco reportou um ligeiro aumento da procura, transversal a grandes e pequenas e médias empresas (PME) e em empréstimos de curto e de longo prazo. Outro banco sinalizou idêntica evolução, mas apenas no segmento das grandes empresas e em empréstimos de longo prazo.
 
No crédito a particulares, dois bancos assinalaram um ligeiro aumento da procura de crédito para aquisição de habitação, tendo um dos bancos reportado uma evolução idêntica no segmento do crédito ao consumo e outros fins. Neste trimestre, as alterações reportadas na procura de crédito foram transversalmente justificadas pelo nível geral das taxas de juro, destacando-se ainda, no segmento dos particulares, a melhoria da confiança dos consumidores.
 
Para o 3.º trimestre do ano, três instituições preveem que a procura de empréstimos ou linhas de crédito por parte das empresas permaneça relativamente estável e duas instituições anteveem que aumente ligeiramente. No segmento dos particulares, a generalidade dos bancos antecipa que a procura de crédito permaneça praticamente inalterada.

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(Gráficos: Banco de Portugal)

 

Nota Técnica: o índice de difusão é calculado com utilização de uma escala que possibilita a agregação das respostas individuais, segundo a intensidade e sentido da resposta, a qual assume valores entre -1 e 1, correspondendo o valor 0 à situação “sem alterações”. Nas questões referentes à oferta, valores inferiores a 0 indicam critérios menos restritivos ou um impacto dos fatores no sentido de uma menor restritividade: o valor -0.5 corresponde a uma alteração “ligeira” (em termos de índice de difusão, tanto mais ligeira quanto mais próximo de 0 for o valor obtido), e o valor -1 a uma alteração considerável. Ao contrário, valores superiores a 0 indicam um aumento, quer da restritividade ao acesso a crédito bancário, quer das condições de risco dos mutuários: o valor 0.5 sinaliza alterações de intensidade ligeira, enquanto o valor 1 indica alterações consideráveis. Nas perguntas sobre procura, aplica-se a mesma escala, representando -1 e -0.5 uma redução da procura dirigida ao banco inquirido e 0.5 e 1 um aumento (ou um contributo dos fatores no mesmo sentido).

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